quarta-feira, 16 de março de 2022

_Addio_, Pe. Risso!




A última semente dos Padres Missionários do Sagrado Coração plantada pela mão de Deus na vida de Pinheiro, feneceu. 

A extensão dessa semeadura resultou em um campo fértil de fé e trabalho social que nenhum pinherense desconhece. Foram gerações e gerações adubadas com fertilizante do amor à Deus e aos homens, e após cinquenta anos a seara missionária expandiu-se em um grande campo verdejante de conhecimento e fé, passando de Prelazia à Diocese.

Quanta dedicação e desvelo na evangelização e socialização deste povo! Quantas horas percorridas em lombos de cavalos e burros para levar a palavra de Deus à lugares remotos onde não chegava o progresso de uma estrada! Quanto esforço de adaptação para aqueles que vieram de uma cultura europeia e aqui se instalaram e ficaram até a morte, como o nosso Bispo D. Afonso Ungarelli, Frei José, Pe. Bento e finalmente o nosso Pe. Risso, o último deles que acaba de nos deixar.

O Pe. Luís Risso veio de Roma para Pinheiro no Maranhão e daqui nunca mais saiu. Optou por viver entre nós, ou melhor, optou por ser um dos nossos, incorporou a nossa essência, alimentou-se de farinha d’água e peixe frito, como o mais autentico pinherense. Trocou a vivência entre os dele para viver a vida entre os nossos. 

Pinheiro o viu chegar jovem, entusiasta, cheio de sonhos e projetos e o viu partir velho (92 anos) alquebrado pelos males do corpo, porém firme e valente no ideal de servir à Deus e aos seus irmãos.

Na verdade, todo aquele que se doa ao próximo permanece na terra após a sua morte. Não foi assim com o Cristo Jesus e com tantas pessoas santas que se foram há séculos, mas permanecem viva na memória dos que até hoje usufruem dos trabalhos por eles deixados? Vejamos o nosso padroeiro Santo Inácio de Loiola, há quantos séculos se foi, porém a Companhia de Jesus por ele fundada permanece viva, atuante, por todos os confins da terra. Aquele que é ungindo pelo senhor Deus, terá vida eterna na terra. 

O nome do Pe. Risso, um fiel servidor de Deus, não passará, pois aqui estão fincadas as obras por eles realizadas que gritarão sempre o seu nome para as gerações futuras que se utilizarão dos feitos por ele deixados. 

Bem aventurado és tu, sacerdote de Deus, que escolhestes um pedaço de terra brasileira para plantar o bem e fertilizá-la com o humus do teu corpo, último gesto de amor por ela.

Vá em Paz, meu querido amigo. 

_Addio_!

Graça Leite

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