quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Filuca anuncia programação oficial do Carnaval de Pinheiro


O prefeito Filuca Mendes [PMDB] anunciou ontem, no final da manhã, a programação oficial do Carnaval 2013.

Convidando os pinheirenses e visitantes que sempre escolhem Pinheiro como destino na folia de Momo para o Carnaval 2013, o prefeito enfatizou as dificuldades do município para oferecer uma programação a altura da tradição da cidade.

“Com muito esforço, estamos preparando, não o Carnaval que gostaríamos, mas o Carnaval possível face às condições em que encontramos o município”, explicou Filuca, garantindo que em 2014, com a casa em ordem, Pinheiro voltará a ter os grandes carnavais que fizeram da cidade uma das mais atrativas durante o reinado de Momo.

As atrações se concentram em três pontos da cidade: na Praça Sarney, Praça da Matriz e São Benedito, com uma programação que mescla atrativos da terra outros de maior renome.

Swing na Veia, Fantasia, Patchanka, Forró Estourado, Capilé, Gargamel, Xerifa e a Banda Bandida estão entre as mais esperadas atrações. Dentre os tradicionais, destaque para a Banda Traíra de Óculos, que vem arrastando multidões no pré-carnaval, a Banda do Pinicão e Babado da Folia. E, para encerrar a festa, o tradicional desfile das Patifas, que deve levar a irreverência e descontração para as ruas de Pinheiro, na terça-feira de Carnaval. A expectativa é que pelo menos 20 mil brincantes, fantasiados de mulher, participem do desfile. 

“Nossa intenção é fazer um carnaval alegre, descontraído, privilegiando o clima familiar e tranquilo que sempre foi a marca da nossa cidade. Um carnaval, principalmente para os pinheirenses, para as famílias. Nosso desejo era fazer uma festa bem maior, com um número maior de atrações. Mas, as condições do momento não nos permitem algo assim. Apesar das dificuldades, focamos os nosso esforços para que realizar a festa, que vem sendo esperada com expectativa crescente, completou Filuca.

“Fazemos um convite a todos para que aproveitem o Carnaval de Pinheiro, que briquem com alegria, descontração e segurança”, concluiu o prefeito.

PROGRAMAÇÃO OFICIAL: CARNAVAL DE PINHEIRO 2013 - A ALEGRIA ESTÁ DE VOLTA

PRAÇA SARNEY, DE SEXTA A TERÇA-FEIRA, SEMPRE A PARTIR DE 21h.

SEXTA-FEIRA GORDA: SWING NA VEIA E FANTASIA
SÁBADO: TRAÍRA DE ÓCULOS, PATCHANKA E FORRÓ ESTOURADO
DOMINGO: TRAÍRA DE ÓCULOS, OZ BAMBAZ E BANDA BANDIDA
SEGUNDA-FEIRA: TRAÍRA DE ÓCULOS, CAPILÉ E GARGAMEL
TERÇA-FEIRA: TRAÍRA DE ÓCULOS, BANDA BANDIDA, XERIFA E GARGAMEL

TERÇA-FEIRA DE CARNAVAL: DESFILE DE GALA DO BLOCO DAS PATIFAS

CONCENTRAÇÃO: EIXO PRAÇA DE SÃO JOSÉ-BABAÇU, A PARTIR DE 16h
PRAÇA DA MATRIZ, DE SÁBADO A TERÇA-FEIRA, DE 17 ÀS 20h

BANDA DO PINICÃO

PRAÇA SÃO BENEDITO, SÁBADO, DOMIGO E SEGUNDA-FEIRA, A PARTIR DE 14h

BABADO DA FOLIA


Nilce Farias é confirmada prefeita de Guimarães


Terminou em 4 a 2 o julgamento do recurso eleitoral em registro de candidatura procedente do município de Guimarães, em que era pedida a cassação de Nilce Farias (PMDB), eleita prefeita da cidade nas Eleições de 2012.
No último dia 22, o julgamento havia sido suspenso em decorrência do pedido de vistas do juiz Sergio Muniz, que na tarde desta terça-feira (29), durante sessão do Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão, apresentou voto oral.
Ele acompanhou o voto do relator, juiz federal Nelson Loureiro dos Santos, e do Ministério Público, que entenderam que a substituição do candidato Arthur Farias pela irmã Nilce Farias foi feita dentro do prazo estabelecido pela legislação eleitoral.
Em favor da prefeita votaram também o desembargador José Bernardo Rodrigues e o juiz José Jorge Figueiredo dos Anjos. Pelo desprovimento do recurso votaram os juízes Luiz de França Belchior Silva e José Carlos Sousa e Silva.

Professor do município de Bequimão ganha na Justiça sua nomeação


A 5ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA) determinou que o Estado do Maranhão efetive a nomeação do professor Edésio Rodrigues para a disciplina de Geografia, com lotação no município de Bequimão. 

A decisão reformou sentença de 1º Grau que julgou improcedente o pedido de ação ordinária em que Rodrigues solicitava sua nomeação, por ter sido aprovado em concurso público promovido pelo Estado, ocupando o 3º lugar na ordem de classificação. O professor participou também de seletivo para o mesmo cargo e localidade, ficando na primeira colocação.

Rodrigues contestou o fato de não ter sido nomeado, diante da abertura de seletivo pelo Estado para contratação temporária de professores do ensino médio, oferecendo milhares de vagas em diversos municípios, sendo 15 para Bequimão, preenchidas por aprovados no certame, em detrimento dos concursados.

Para o relator do processo, desembargador Raimundo Barros, as circunstâncias que demonstram a aprovação do candidato – tanto para contratação temporária, quanto no concurso público – não deixam dúvida do direito subjetivo a nomeação e posse no cargo, considerando-se o atual posicionamento das Cortes superiores sobre a matéria.

“O Superior Tribunal de Justiça pacificou posicionamento segundo o qual a mera expectativa de direito à nomeação se convola (substituir um ato ou medida judicial por outro) em direito líquido e certo a partir do momento em que, dentro do prazo de validade do concurso, há contratação de pessoal, de forma precária, para preenchimento de vagas existentes, em flagrante preterição aqueles que, aprovados em concurso ainda válido, estariam aptos a ocupar o mesmo cargo ou função”, destacou Barros.

O desembargador afirmou ainda que ao deixar de nomear o candidato classificado dentro do número de vagas criadas posteriormente pela Administração Pública – a serem preenchidas por contratação temporária – o Estado viola os princípios da boa-fé administrativa, da razoabilidade, da lealdade, da isonomia e da segurança jurídica.

Os desembargadores Marcelo Carvalho e Kleber Carvalho acompanharam o relator.

Cresce o número de acidentes motociclísticos em Pinheiro


Nos últimos 25 dias foram registrados 14 acidentes de trânsito envolvendo motos em pinheiro, com três pessoas chegando a óbito e várias com fraturas expostas e muitas submetendo - se a cirurgias.
A imprudência e falta do uso de equipamentos de segurança são as causas apontadas para o aumento do número de acidentes. Em  pinheiro uma ação de educação no trânsito está sendo realizada nas avenidas e principais ruas da cidade.

Os motociclistas ocupam o primeiro lugar ranking de mortes no trânsito nas estatísticas, com o objetivo de conscientizar os condutores a Superintendência Municipal de Trânsito do município,  com medidas educativas está  abordando os motociclistas para alertar quanto aos riscos que a imprudência no trânsito pode levar.

O baixo custo das motocicletas e a facilidade na compra contribuem para o aumento de motocicletas no Estado. “Hoje o cidadão pode parcelar em quantas vezes quiser”. Muitos compram primeiro para depois pensar em tirar a carteira de habilitação, neste intervalo que surgem os acidentes.

sábado, 26 de janeiro de 2013

Resultado do julgamento de Guimarães é adiado para terça-feira


Por causa do pedido de vistas do juiz eleitoral Sérgio Muniz, o julgamento da prefeita eleita de Guimarães, Nilce Farias, ficou para a próxima terça-feira. O julgamento sobre o pedido da cassação de sua candidatura começou hoje no TRE e acabou com uma vitória parcial para a prefeita por 3×2. Faltam votar o juiz Sérgio Muniz e em caso de empate, a presidente do TRE, desembargadora Anildes Cruz. Casos idênticos ao de Nilce Farias estão sendo derrubados no Supremo Tribunal Federal e outros no Tribunal Superior Eleitoral. Ocorre que ela virou candidata um dia antes do pleito em razão da troca do nome de seu irmão, o ex-prefeito e ficha suja Artur Farias. Na hora de votar, aparecia nas urnas a foto dele, o que caracteriza um vício no processo eleitoral. Mas aqui no Maranhão a Justiça eleitoral está tendo outro entendimento. Por isso, votaram pela permanência dela no cargo de prefeita o desembargador José Bernardo Rodrigues, o juiz federal Nelson Loureiro, que atuou como relator do caso e o juiz eleitoral José Jorge Figuereido. Contra a prefeita votaram até agora os membros da corte eleitoral Luis Belchior de França e José Carlos Sousa e Silva. Vale ressaltar que o TRE do Maranhão, durante o período eleitoral de 2012, sofreu diversas derrotas no TSE e chegou a ser advertido publicamente pelos equivocos.

Sarney afirma que a política é cruel e o embate político não tem limites


O senador José Sarney (PMDB-AP) está prestes a deixar a Presidência do Senado, cargo que ocupou por quatro vezes nos últimos 17 anos. Em 2014, Sarney vai completar seu terceiro mandato como senador pelo estado do Amapá. Entre 1971 e 1984, esteve na Casa como representante do Maranhão. “Já são 35 anos dentro do Senado. Na história da República eu sou o senador que mais tempo passou aqui”, destaca Sarney, lembrando que Rui Barbosa teve 32 anos de Senado.
Sarney registra que não será candidato à reeleição, mas ressalta que não é por falta de apoio popular. Ele lembra que o ex-deputado federal Virgílio Távora (1919-1988) dizia que duas coisas fazem o político abandonar a carreira: ou o político larga o povo, ou o povo larga o político. “Graças a Deus, nada disso aconteceu comigo”, diz.
Sobre o próximo presidente do Senado, Sarney ressalta que “isso depende da escolha do Plenário”. Ele, no entanto, admite que o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) deve ser um dos candidatos e que o colega de partido tem muita experiência: “Já foi presidente da Casa e tem grande capacidade de diálogo e conciliação”.
Sarney conta que tentou desestimular o envolvimento de seus filhos na política, por conta das agruras da atividade. Dois deles, no entanto, seguiram a carreira do pai: o deputado federal Sarney Filho (PV-MA)
e a governadora do Maranhão, Roseana Sarney. Sarney admite, porém, que gostaria que seus filhos repetissem sua trajetória política.
Em entrevista exclusiva à Agência Senado, Sarney avaliou seus mandatos como senador, falou sobre as realizações de sua carreira política e a forma como lida com denúncias, e não deixou de tocar em assuntos como Deus, frustrações, vida e morte. Confira.
Como o senhor avalia seus mandatos como senador? Sempre tive a preocupação com a atualização, com a modernização e com o apoio científico aos trabalhos do Senado. Na década de 1970, fui presidente do Ipeac [Instituto de Pesquisa e Assessoria do Congresso], que visava oferecer assessorias competentes à atividade parlamentar. O Ipeac era o responsável pelos trabalhos da Casa, convocando a inteligência nacional para dar apoio ao Congresso. Assuntos como energia nuclear, hidrelétricas e abertura democrática estavam entre os trabalhos do instituto. Ainda como senador, em 1993, eu propus a informatização do Senado. Foi constituída uma comissão, da qual eu era membro, e o resultado foi a criação da Secretaria Especial de Informática do Senado Federal (Prodasen).
Qual a herança que o senhor deixa como presidente do Senado? Durante todo o tempo que passei no Congresso, nunca gostei de participar das mesas de direção. Mas, em 1994, me rendi aos apelos para assumir a Presidência do Senado. Como presidente, minha preocupação com a modernização se redobrou. Depois de assumir a Presidência, acho que entramos na era da modernidade do Senado. Parecia que o Senado ainda estava no século 19, pois não havia o conhecimento das mudanças significativas que a sociedade da informação trouxe para o mundo.

Durante o tempo em que fui presidente, sempre houve a preocupação com a transparência, pois a modernidade traz um novo interlocutor, que é a opinião pública, que se manifesta por meio da mídia, das redes sociais ou pelas organizações civis. Com isso, nós achamos que o Senado devia se atualizar para ter sua presença diante da opinião pública. Daí, houve a criação da Secretaria Especial de Comunicação Social (Secs), com a TV, a Rádio, o Jornal e a Agência Senado. Serviços como o DataSenado, a Ouvidoria, o e-Cidadania e o Alô Senado vieram assegurar uma transparência cada vez maior da Casa. Também destaco a informatização das sessões e da frequência dos senadores, as notas taquigráficas em tempo real na internet e o [site de busca de legislação] LexML.
Na área administrativa, houve o incremento dos cursos do ILB [Instituto Legislativo Brasileiro] e a aquisição de livros raros para a Biblioteca, além dos programas Pró-Equidade e Senado Verde. Tudo isso mostra a revolução que ocorreu no Senado e como a Casa se modernizou. A modernização e a atualização têm sido a minha marca por onde tenho passado na administração publica.

A vida política do senhor é muito extensa. O senhor já foi deputado, governador, senador e presidente da República. Além disso, é empresário e membro da Academia Brasileira de Letras. O senhor se considera realizado ou falta algo a conquistar? Todo homem chega ao fim da vida com uma certa frustração, não das coisas que fez, mas pelas coisas que deixou de fazer. Quando a gente entra na política, é pelo desejo de melhorar a sorte de seu município, de seu estado, de seu país, e até de melhorar a sorte da humanidade. Essa é a grande vocação da política. E sempre fica uma frustração por ainda não ter conseguido todas essas coisas.
Na realidade, eu fico meio decepcionado quando vejo que todas as ideias políticas difundidas no mundo prestaram menos serviço ao povo do que [Alexander] Flemming, com a penicilina, [Albert] Sabin, com a vacina contra a paralisia, ou as inovações de [Thomas] Edison ou [Steve] Jobs. Sempre fica a ideia de que ainda há alguma coisa por fazer. Quando Deus fez o mundo, não o fez com tudo perfeito, mas deixou o homem com a capacidade de cada dia melhorar um pouco. Eu sou um otimista com a humanidade, e acho que haverá um dia em que o homem vai conseguir aquilo que [Thomas] Jefferson chamava de “a busca da felicidade”. Isso será daqui a milênios, mas vai acontecer.
O exercício da política implica, naturalmente, controvérsia e antagonismo. Ao longo da sua trajetória política, o senhor teve de lidar com denúncias de irregularidades. De que forma o senhor convive com essas denúncias e as críticas? A política é cruel, lida com a crueldade. O embate político não tem limites. A primeira coisa que muitos fazem [na política] é tentar desqualificar o adversário. Então se inventa tudo e se é submetido a todas as injustiças. Quanto mais responsabilidade, mais se é combatido. Isso faz parte da prática e da instrumentação política. Isso é terrível pra quem faz política e desmoraliza a atividade política. Por isso, o povo julga tão mal os políticos. São os próprios políticos que constroem esse julgamento.
Quanto a mim, como eu sei que são inverdades, eu lido como se fosse com uma terceira pessoa. Eu lido com absoluta tranquilidade. Eu sou cristão e Deus me deu essa graça. Deus já fez tanto por mim – como o país em que ele me fez nascer e a vida que ele me permitiu construir, tanto na literatura quanto na política – e ele me pede uma coisa apenas: “Perdoai os vossos inimigos”. Por que eu vou negar isso a ele? Então eu perdoo e fico tranquilo, numa boa.
Na história do Brasil, muitos sofreram muitos ataques. Rui Barbosa, Joaquim Nabuco, muitos presidentes. Mas eu vejo que tudo isso passa. Os excessos que a imprensa constrói, o tempo destrói.
O senhor completou 82 anos, em 2012, passando por um susto. Teve de ser internado, para tratar do coração. É natural que, neste momento da vida, a morte se torne um assunto delicado. O senhor tem receio da morte? De que forma lida com a ideia da morte? O corpo começa a dar sinais, algumas peças começam a ficar com a validade vencida (risos). Eu até escrevi um poema, Homilia do juízo final, em que eu termino dizendo: “Tenho um encontro com Deus. / – José! onde estão tuas mãos que eu enchi de estrelas? / – Estão aqui, neste balde de juçaras e sofrimentos.” Juçara é outro nome para o açaí.
Nos vários cargos que o senhor exerceu, qual foi o momento mais difícil? Foi quando me ligaram de madrugada, avisando que eu iria assumir a Presidência da República (Em março de 1985, Sarney assumiu a Presidência depois de Tancredo Neves ter sido internado com problemas de saúde. Tancredo viria a morrer em junho daquele ano, e Sarney seguiu como presidente até 1990). Não conhecia o ministério nem o programa de governo. Todos diziam que a democracia iria morrer nas minhas mãos. Mas não morreu. Pelo contrário, floresceu.
Eu convivi com grandes homens públicos. Cada um tem o seu tempo, e corro o risco de terminar fazendo alguma injustiça. Mas, se eu tivesse que apontar aquele de quem mais sinto falta, seria de Tancredo Neves.
Nos seus vários mandatos, há algo que o senhor considere que seja o seu legado político para o Brasil? Eu destaco a transição democrática, pois depois a democracia se consolidou no país, e os programas sociais, que tanto bem fazem para o povo brasileiro. Depois de ser presidente, tive a felicidade de ver todas as classes sociais chegando à Presidência da República, colaborando com a vida do país. A República começou com os barões do café, passou pelos militares, pelos bacharéis e tivemos um operário como presidente. Hoje, temos uma mulher na Presidência. Há país mais democrático que o Brasil? Há exemplo maior do que esse? Isso foi fruto de um trabalho que passou pelas minhas mãos.
Quando fui presidente da República (1985-1990), houve uma mudança de foco. A prioridade era apenas econômica e eu coloquei a causa social na pauta da política brasileira. Todos esses programas que hoje foram ampliados começaram naquele tempo. Com o Plano Cruzado (1986), tive a coragem de colocar minha cabeça a prêmio, com o congelamento de preços. Procuramos outro caminho que levou ao Plano Cruzado, ao Plano Verão, ao Plano Collor e até ao Plano Real. O Plano Real, já naquele tempo, esteve em nossas mãos, mas não havia mais tempo para implementá-lo, pois estava deixando a Presidência da República. Essas conquistas me fazem muito orgulhoso de minha vida pública. Na minha vida, a orientação sempre foi procurar ajudar, construir, unir e buscar a paz.

OS 100 ANOS DA MINHA QUERIDA INEZ!


Por Marita Gonçalves
Que pena a vida ter nos e parado fisicamente. Eu perdi;, asseguro-te. Sabes por que? Lembro-me com imensas saudades das nossas conversas de fim de tarde – em Pinheiro – sentadas à porta da farmácia da Paz, onde de minuto a minuto, levantavas para atender um cliente que chegava. Contavas pra mim histórias muito engraçadas que sabias pela tua amizade com a “Madrinha” Carmem, minha mãe. Tomei conhecimento maior sobre a cidade de Pinheiro da primeira metade do século XX,através das tuas narrativas, Inez. Tu me falavas das ruas e das casas; das famílias e das autoridades; das festas religiosas e dos cantos no coro da Matriz; dos bailes especiais e dos teatros; das moças bonitas e elegantes e daquelas que se vestiam de maneira destacada; dos amores e dos casamentos. Contavas como a população viajava para a capital a bordo das embarcações de belos nomes; cujos nomes me elevaram com: Cisne Negro, Hercules e Dunquerque, que bonito!
Inez, também discorria sobre as tragédias como a explosão da Usina Providencia, quando perdeste o noivo, uma das vitimas do incêndio. Falaste-me do naufrágio do Hercules (e eu imaginava um barco gigantesco e forte) que sossobrou (parece-me) à noite por ter-se chocado com a temida pedra do Itacolomy, o terror dos barqueiros que navegavam na baia de Cumã.
Se alguma coisa aqui está errada, desculpa a minha memória, que nada representa perto da tua. Esta é uma pequenina prova de todos estes fatos, relatados a mim, por ti amiga, com uma grande riqueza  de detalhes. ...E assim eu me deleitava diante do formidável “livro de histórias Pinheirense” que eu tinha ao meu dispor.
Inez, que dizer de ti, para ti?
Uma mulher bonita, esposa, filha, irmã, mãe e amiga excepcional! Uma mulher onde a vaidade ganha uma característica diferenciada, por que nunca está ausente. É necessário enumerarmos seus implacáveis vestidos, de seda ou outros tecidos especiais; a maioria das vezes estampados em corres vibrantes; de muito bom gosto; de modelos que refletiam os últimos ditames da moda bem ajustadas ao corpo, outra característica digna de destaque.
Inez, sempre tivestes um corpo que valorizava tudo o que usavas. Um corpo sem excessos, pelo contrario, um corpo adequado para a tua estatura: quadris coerentes com todas as medidas, pernas bonitinhas, busto norma e cintura bem marcada. 
Os cabelos estavam constantemente cortados (presume-se) porque nunca os vimos com cabelos compridos ou curtos demais, e emolduravam o rosto sempre na mesma medida. Nunca eu ti vi de penteado diferente, especial. O jeito simples como ti penteias está em perfeito acordo com tua personalidade.
Hoje, alguns anos depois desse nosso convívio mais próximo acham que continuas a mesma. Escolhes as roupas que queres vestir. As cores que ti agradam. E tens a sagacidade de dizeres não a qualquer modelo de boutique afamada, que compram para ti, mas que na realidade não achas que está de acordo com a tua maneira de ser.
Relembrando, mais uma vez, os tempos de Pinheiro, bem cedo ao acordares, ias compor, ao teu gosto, o tipo que conhecemos e aprendemos a gostar: a Inês bem vestida (de cores alegres), bem calçada (sempre de sapatos de saltinho) fechados e discretos. 

Compondo este perfil, mas se destacando de quase todas as senhoras da cidade, haviam acessórios: colares, brincos, anéis e pulseiras. Mas não eram acessórios do século XXI. Eram joias valiosas, lindas e ... barulhentas.
Sim, as belas e barulhentas pulseiras que deixam a Inês um ar especial (Não pensem que digo isto como critica. Falo como admiradora e adepta inconteste das pulseiras que brilham, que falam, que emitem sons, que fazem barulho.)

Também gosto de usá-las. Será que aprendi contigo essa particularidade? Mas devo esclarecer uma coisa, minhas pulseiras são joias do século XXI.

Enfim querida amiga, o sorriso sempre iluminou o teu rosto porque a alegria de viver sempre foi uma característica em tua vida.

E esses teus olhos marotos e inquietos nos dão, constantemente, a certeza de que estamos diante de uma pessoa inteligente; que estamos diante de uma pessoa de memória mais prodigiosa que conheço; que estamos diante de um monumento de Mulher – Inez Castro.