O clima esquentou no Plenário Manoel de Jesus Moraes durante a última sessão da Câmara Municipal de Bequimão. A vereadora Janny Matos subiu à tribuna e fez uma denúncia gravíssima, com áudios utilizados como prova, contra a também vereadora Raquel Paixão, que pode culminar em cassação de mandato e inelegibilidade por oito anos.Janny recebeu em mãos áudios enviados pela própria Raquel Paixão em um grupo de mensagens, nos quais ela descreve em detalhes um esquema organizado de transporte e aliciamento de eleitores durante as eleições de 2024. Em seus áudios, Raquel coordena com clareza toda a logística de como os eleitores deveriam ser abordados e aliciados.
Veja alguns dos trechos que foram reproduzidos na tribuna:
“Rodrigo, filho de Dico, Rick de Zé Abrão, Gilvan e Chiquinho vão estar no Anel Viário [...] vai ter um grupo de duas pessoas que vai estar no domingo pela manhã lá para receber os nossos eleitores.”
Aqui, Raquel designa agentes políticos para organizar o aliciamento de eleitores no Anel Viário, violando diretamente o Art. 302 do Código Eleitoral, que proíbe o transporte de eleitores da maneira como ela orquestrou.
“No Itaqui eles vão comprar passagem [...] vai ter uma equipe que vai estar comprando passagem entregando para os eleitores nessa hora.”
Esse trecho reforça a acusação de compra de votos e captação ilícita de sufrágio, conforme descrito no Art. 299 do Código Eleitoral e no Art. 41-A da Lei das Eleições. Raquel não só admite o custeio de transporte, mas explicita que será sua equipe quem comprará e entregará as passagens, no momento do embarque.
“Vão estar entregando uma pulseirinha [...] para poder pegar o ônibus da parte daqui, que vai ser dois micro-ônibus de Zé Lopinho.”
A entrega de pulseiras para identificar eleitores previamente aliciados evidencia um controle organizado do fluxo eleitoral, prática comum em esquemas de compra de votos, configurando indícios de abuso de poder econômico.
“Cuidado com essa questão de passagens, como vocês vão fazer com os eleitores, tá? Muito cuidado, tá bom? A gente vai ganhar eleição, em nome de Jesus, e depois eles vão querer caçar os nossos mandatos”.
Essa fala é ainda mais comprometedora. Nela, Raquel admite saber que a prática é ilegal, orienta cautela aos aliados, e revela temor pela cassação do mandato — o que caracteriza dolo, fundamental para a responsabilização penal e eleitoral.
Janny Matos foi categórica: não se trata de uma suspeita, mas de provas concretas da atuação da vereadora em práticas criminosas. A parlamentar anunciou que formalizará denúncia junto ao Ministério Público Eleitoral e exigiu que a Justiça atue com rigor diante da gravidade do caso.
Agora, os olhos estão voltados ao Ministério Público, que tem o dever de agir com agilidade e firmeza. Os áudios revelam:
• Compra de votos (Art. 299 do Código Eleitoral)
• Transporte ilegal de eleitores (Art. 302)
• Captação ilícita de sufrágio (Art. 41-A da Lei nº 9.504/1997)
• Abuso de poder político e econômico (Art. 22 da LC 64/90)
A parlamentar que insiste em se apresentar como exemplo de “ética e boa política” agora está no centro de uma denúncia pública, exposta pela própria voz, articulando um esquema eleitoral que envergonha a democracia.