quinta-feira, 3 de setembro de 2026

PINHEIRO: DE LUGAR DO PINHEIRO À VILA DE SANTO INÁCIO DO PINHEIRO.


Aymoré Alvim: APLAC, AMM, ALL.

Pinheiro celebra, neste 3 de setembro de 2026, 170 anos da ascensão do Lugar do Pinheiro, marco inicial do nosso município, à categoria de Vila com a denominação de Vila de Santo Inácio do Pinheiro. Adquiriu, assim, a sua emancipação política e autonomia administrativa.

A luta foi árdua, travada, nessa época, entre os políticos locais com o apoio dos de Alcântara contra os de Guimarães a cuja Vila pertencia o Lugar do Pinheiro.

Essa pequena povoação foi fundada, em 23 de novembro 1806, pelo Capitão Inácio José Pinheiro, Capitão-mor da Vila de Alcântara. No ano seguinte, em 13 de maio de 1807, foi doada, a título de Sesmaria, pelo Governador do Estado, em nome de Sua Alteza Real, o Principe Regente D. João, aos índios que vagavam pelos campos do Pericumã como um recurso para dirimir as contendas que vinham ocorrendo entre eles e posseiros que viviam, na Região.

Localizado numa ponta de terra que avança em direção nordeste pelos campos do Pericumã, a localidade passou, aproximadamente, 26 anos para ser transformada em uma pequena povoação de 400 almas formada pelos índios e por pessoas vindas de Alcântara e Guimarães para ganhar a vida. (Marques, César Augusto: Dicionário Histórico-geographico da Província do Maranhão).

A partir de então, com a implantação de engenhos e o cultivo da cana-de-açúcar, a pequena povoação começou a se desenvolver. Por volta de 1831, segundo o Professor Jerônimo Viveiro, já existia ali um Juizado de Paz e, em 1840, já possuía um bom comércio e boa produção de açúcar, cachaça e cereais além de um considerável plantel de gado vacum criado de forma extensiva, nos campos que contornam o Lugar.

No início dessa década, já contando com um bom desenvolvimento econômico e muitas casas cobertas de telhas, seus moradores entenderam que já era hora de pensar em sua autonomia política, elegendo seus vereadores e dirigindo os seus próprios destinos, mas encontrou, na Assembleia Provincial, forte resistência da representação da Vila de Guimarães.

Desde 1833, quando o povoado começou a participar das eleições paroquiais, já mostrava um certo viés oposicionista que passou a ser tomado como provocação pelos políticos de vimarenses, comandados pelo deputado provincial da ala governista, Torquato Coelho de Sousa juntamente com seu cunhado, deputado Francisco Sotero dos Reis e Manoel Gomes da Silva Belfort, aliados a outros deputados governistas de forte influência, na Assembleia,

Além do mais, era bastante conhecida a ligação partidária entre os políticos locais com os da oposição da bancada alcantarense.

Várias foram as manobras urdidas para evitar a sua emancipação, até que, esgotadas todas as tentativas possíveis, foi, por fim, sancionada, em 3 de setembro de 1856, a Lei Provincial Nº 439 pelo Presidente da Província do Maranhão, o Sr. Antônio Cândido da Cruz Machado, Oficial da Imperial Ordem da Rosa e Deputado na Assembleia Geral Legislativa pela Província de Minas Gerais.

A partir dessa data, a maior do nosso calendário cívico que ora comemoramos, a Vila de Santo Inácio do Pinheiro prosseguiu, na sua senda progressista, perseguindo sempre a concretização dos sonhos sonhados pelo seu povo.

Não podemos, contudo, nesta data, deixar de reverenciar a memória daqueles moradores cujo esforço e grande liderança conduziram com êxito tal empreitada como Agostinho Raimundo dos Reis, José Estanislao Lobato, José Ascenço Costa Ferreira, João dos Santos Durães, José Bento Caldas, José Caetano de Sá, Miguel Arcanjo dos Reis, Theófilo Diniz Ferreira de Castro, Domingos Martins da Costa, João José Lima, José Joaquim Vassalo Ramos, Agostinho Raimundo dos Reis, Mariano Antônio Martins Costa e muitos outros que, contaram com o apoio de próceres alcantarenses e de outros membros da Assembleia Provincial para alcançar seus propósitos.

Chegou, então, a hora tão esperada. A instalação da Câmara de vereadores para garantir a autonomia política e administrativa da recém-criada vila. Novas dificuldades com os políticos de Guimarães. Foi preciso a interferência do Presidente da Província para que os livros, atas eleitorais, relação de eleitores e outros documentos fossem, por fim, liberados e enviados para que as eleições fossem procedidas.

Realizadas, então, a primeira Câmara de vereadores da Vila de Santo Inácio do Pinheiro foi instalada, em 26 de fevereiro de 1861, sendo eleitos José Bento Caldas que por ser o mais votado ocupou a Presidência e, consequentemente, o poder executivo da Vila, seguido por José Estanislao Lobato, Mariano Antônio da Costa, Miguel Arcângelo Reis e Domingos Martins da Costa para um mandato de 1861 a 1864. (Doc. Câmara de Pinheiro – Arq. Pub. Est.).

E foi assim que Pinheiro alcançou o status de Vila. A partir desse momento histórico até o atual, passaram a competir às gerações que sucederam a realização dos sonhos dos nossos ancestrais de forma a deixá-la sempre acolhedora, desenvolvida, pronta a dar o melhor às gerações vindouras.

No momento, a responsabilidade é nossa.

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