sábado, 7 de fevereiro de 2026

Gestão de André da Ralpnet estima gastar quase R$ 10 milhões com material de limpeza em Pinheiro

 


A gestão do prefeito de Pinheiro, André da Ralpnet, resolveu abrir a carteira — ou melhor, o cofre público — para uma despesa que chama atenção pelo tamanho: quase R$ 10 milhões apenas com material de limpeza. É isso mesmo. De acordo com edital oficial publicado pela própria prefeitura, o valor total estimado da licitação chega a R$ 9.454.350,00 .

O montante aparece no Pregão Eletrônico – Sistema de Registro de Preços nº 03/2026, cujo objetivo é a contratação futura de empresa especializada para fornecimento de material de limpeza destinado às secretarias de Administração, Saúde, Educação e Assistência Social do município.

Registro de preços, mas impacto real

Embora o modelo adotado seja o Sistema de Registro de Preços (SRP) — que não obriga a Prefeitura a gastar imediatamente todo o valor — o número registrado não deixa de causar espanto. Afinal, R$ 9,4 milhões não é exatamente um troco esquecido no fundo da gaveta.

Na prática, o edital já deixa claro qual é a expectativa máxima de gasto da gestão, funcionando como uma espécie de “cheque em branco” autorizado previamente, desde que respeitados os termos legais do contrato.

Menor preço… mas maior valor global

O critério de julgamento será o menor preço por item, o que, em tese, atende à legislação. No entanto, quando se olha o valor global estimado, a conta fica difícil de explicar para quem enfrenta ruas esburacadas, unidades de saúde com problemas estruturais e escolas carentes de manutenção.

Em outras palavras: o edital pode até estar formalmente correto, mas politicamente soa exagerado para uma cidade que convive diariamente com demandas básicas ainda não resolvidas.

Limpeza milionária

O edital prevê:

  • Disputa eletrônica aberta;
  • Intervalo mínimo de lances de R$ 0,01;
  • Exigência de amostras dos produtos;
  • Participação favorecida para micro e pequenas empresas, conforme a lei.

Tudo dentro da norma. O problema não é o rito. É o tamanho da conta.

Para efeito de comparação, o valor estimado permitiria, por exemplo, reformas estruturais em escolasmelhorias em postos de saúde ou investimentos diretos em infraestrutura urbana — áreas que frequentemente aparecem nas reclamações da população pinheirense.

Prioridades em debate

O edital não fala em desperdício, nem em irregularidade. Mas levanta uma pergunta inevitável: faz sentido estimar quase R$ 10 milhões em produtos de limpeza em um único processo?

A resposta cabe à gestão municipal, que precisará explicar à população por que a limpeza é tão cara e por que esse gasto aparece como prioridade em meio a tantos outros problemas públicos visíveis.

Enquanto isso, o documento segue disponível, público e transparente — como manda a lei — aguardando não só propostas das empresas interessadas, mas também o olhar atento da sociedade, dos órgãos de controle e da opinião pública.

Porque, quando o assunto é dinheiro público, a limpeza precisa começar pelas explicações.

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